Nem todo passivo tributário nasce de má-fé

Por Jade Vargas, sócia-fundadora

Recentemente, um cliente me disse uma frase que ficou comigo: “Eu deixei de pagar os tributos porque ou era isso ou não pagava a folha dos funcionários.”

É uma fala difícil de ouvir. Mas, ao mesmo tempo, é uma realidade que existe dentro de muitas empresas.

Nem todo passivo tributário nasce de má-fé, descaso ou de uma empresa que simplesmente decidiu não pagar. Às vezes, ele nasce de um período em que o caixa não comportava tudo. E, diante da escolha entre pagar o tributo ou manter a folha, fornecedores e a operação funcionando, o empresário fez uma escolha de sobrevivência.

O problema é que a dívida não desaparece. Ela cresce, recebe juros, multas e encargos, pode ser inscrita em dívida ativa, gerar restrições e, em determinados casos, chegar a uma execução fiscal.

É aí que entra a importância de olhar para o passivo tributário com estratégia e não apenas como uma dívida que precisa ser parcelada. Antes de perguntar “quanto a empresa deve?”, precisamos entender: por que essa dívida nasceu? Qual é a real capacidade de pagamento da empresa? Quais débitos são efetivamente devidos? Quais modalidades de regularização estão disponíveis? Existe espaço para uma negociação mais adequada à realidade daquele negócio?

Porque regularização tributária não deveria significar simplesmente colocar uma dívida em parcelas. Significa encontrar um caminho que permita à empresa regularizar seu passivo sem comprometer novamente a sua capacidade de continuar operando.

Por trás de muitos números que aparecem em uma situação fiscal, existe uma história. E entender essa história também faz parte da estratégia.

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